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Canclini na ESPM

Autor: Ricardo Zagallo
18 out
Impressões da Conferência Magna do Comunicon 2016 - Do consumo ao acesso: velhos e jovens na comunicação
Professor Néstor Garcia Canclini durante a Conferência Magna do Comunicon 2016. Foto: Reprodução

13 de outubro de 2016

O professor Néstor Garcia Canclini (UNAM, México) começa sua fala narrando uma cena familiar, onde a aparente desconexão entre gerações numa mesma mesa, com o uso de aparelhos eletrônicos pelos jovens, pode esconder conexões em torno de temas de interesse comum. Os jovens falam de políticas, mas falam pouco de partidos. Os adultos não. Algumas vezes as conversações se cruzam. Avôs e netos conversam sobre receitas e futebol. Essa cena de conexões e desconexões onde interagem a presença física e os gadgets se repete em vários lugares, mas de formas por vezes não tão fluídas.

A mídia contribui para a separação geracional ao valorizar o jovem e estigmatizar os mais velhos. As mulheres são especialmente atingidas pelo imperativo da juventude, por meio de figuras femininas sempre jovens que habitam os veículos de comunicação e os imaginários. O papel da mídia, somado às novas redes, ilustradas pela cena inicial, enfatizam, para Canclini a importância da comunicação e do consumo cultural na construção de um distanciamento geracional (e também de uma aproximação?).

Retomando uma afirmação que remete ao livro Consumidores e Cidadãos (Editora da UFRJ, 2009), Canclini lembra que “consumir é pensar”, reiterando a percepção do consumo como um fenômeno contemporâneo com grande potencial para responder a perguntas antes ligadas apenas à cidadania e permitir, numa visada crítica, nos ajudar a decifrar a sociedade, em especial o que ele nomeou como os enganos da publicidade.

Tendo esse amplo conceito de consumo em vista a fala se desloca para a noção de acesso, partindo da premissa que a recepção da comunicação se transformou profundamente e vivemos hoje uma situação de acesso múltiplo, do ponto de vista espacial e temporal.

Para falar de acesso Canclini apresenta alguns achados de pesquisa sobre leitores e leitura, lembrando que algumas pesquisas anteriores, como a do Instituto Pró-livro (2011), tinham uma definição muito restritiva de leitor, que subestimavam os usos da internet na definição de leitura, não considerando, por exemplo, o que se escreve e comunica sobre literatura na rede.

Ampliando essa visão, com a percepção de que os dispositivos digitais não substituem as versões impressas, mas as complementam, ele e outros pesquisadores mudaram o foco em pesquisa realizada nos anos de 2014/2015, deslocando a preocupação do quanto se lê para como se lê, com uma observação mais atenta a diversidade de modos de leitura atuais. Um estudo que envolveu investigações visuais cujas imagens foram apresentadas durante a palestra.

Os resultados do estudo indicam que, em todos os setores sociais e idades hoje se lê mais por projetos e por necessidades conjunturais. Além dessas motivações variáveis, houve também um claro aumento de leituras breves e descontínuas, próximas do zapping. Leituras de muitos princípios e poucos finais, onde mesclam-se textos e ferramentas, com várias “janelas” abertas. Não se lê, portanto, de modo linear e “do começo ao fim”, forma valorizada nos séculos 19 e 20, mas de outras formas, em outros espaços e plataformas. O tempo de leitura, contudo, não diminuiu.

Destaca-se também o caráter social da leitura, contraposto à visão da leitura como um ato solitário. Isso fica ainda mais evidente com os fenômenos das feiras de livro e grupos de leitura. Apesar das vendas não aumentarem de forma proporcional, cresce a participação do público nas feiras de livros. Espaços para onde os leitores são atraídos de diversas formas: pelo contato com os autores, replicado por selfies e outras comunicações nas redes sociais; pelo acesso a informações diversificadas e panorâmicas; e pela possibilidade de participação em atividades performáticas relacionadas à leitura. A perspectiva dos visitantes é marcada pela noção de experiência e a sociabilidade é um fator que merece destaque.

Num breve retorno às distancias entre velhos, adultos e jovens, Canclini aborda, com ressalvas, as noções de nativos e migrantes digitais. Não deixa, contudo, de observar como o universo digital provoca o estranhamento entre gerações. Citando a autora Rosalía Winocur, aponta diferenças importantes na relação de adultos e velhos com a internet se comparadas com o uso feito pelos jovens, ilustradas por algumas dicotomias, como, por exemplo, a separação e controle de espaços dos mais velhos versus um presente continuo e espaço deslocalizado dos jovens; temor da perda de privacidade e qualidade de vida versus aumento de qualidade de vida a partir do domínio das ferramentas; medo de vírus e invasões digitais versus “espirito desportivo” diante do risco, percebido como condição natural; controle e minimização de riscos versus abertura para a novidade e contingências digitais. Um quadro onde, no geral, os mais velhos ainda se sentem “estrangeiros” ante os aparatos e mundos digitais expandidos, valorizando o contato físico, telefone e voz como modos de presença.

O foco da palestra se dirige então para as novas formas (e dúvidas) da cidadania num contexto digital, marcado por uma densa e conflitiva interculturalidade, onde se exacerbam contradições nacionais e transnacionais, mas onde há potencial para atos ligados à cidadania.  Nesse ambiente, os jovens buscam movimentos mais flexíveis do que os partidos e outras maneiras formais de exercer a política, cada vez mais desacreditados. São, contudo, mobilizações de alta intensidade e curta duração. Os modos alternativos de pensar a cultura e sociedade são efêmeros e ainda restritos. E revelam um paradoxo. Hoje temos jovens mais educados e hábeis no uso das ferramentas tecnológicas, mas com menos acesso a empregos e posições de poder, ou com acesso apenas a trabalhos informais e precários.  O que também implica menor acesso ao consumo.

As atividades criativas dos jovens – como música, desenho, gastronomia e artes visuais – são exaltadas pelos economistas neoliberais como possibilidades de emprego e sinal de dinamismo econômico. A criatividade é percebida como forma de acesso.

Os estudos de Canclini e outros pesquisadores matizam esse otimismo. Onde os economistas vêem liberdade e potencial de crescimento, os antropólogos vêem precariedade e exploração de jovens trabalhadores, perda de direitos laborais e novas discriminações de gênero. Um quadro sombrio com algumas luzes, tais como o surgimento de redes cosmopolitas, maior agilidade na comunicação e acesso virtual a bens culturais.

São, portanto, vidas criativas e precárias. Vidas organizadas por projetos, com o desaparecimento da noção de carreira e a desafeição por organizações e partidos políticos [colocações que lembram as de Richard Sennett em livros como A Corrosão do Caráter e A Cultura do Novo Capitalismo].

Há também uma multiplicação de marchas e protestos e a difusão de um ideal de não consumismo e da produção de seus próprios bens e serviços, como prega, por exemplo, o movimento makers. Propostas de mudanças nos modos de produzir e compartilhar bens, tendo como pano de fundo a economia solidária, que se expande como conceito.

Aqui Canclini novamente matiza o fenômeno, propondo uma pergunta: podemos compartilhar tudo? Para responder que isso depende do que se vai compartilhar. É muito fácil compartilhar bens intangíveis e de uso eventual. Mas quanto mais próximo física e emocionalmente o indivíduo estiver em relação ao objeto ou bem, menor a predisposição a compartilhar. Diante disso, ele questiona a capacidade da economia de compartilhamento de oferecer respostas para a sociedade.

Lembra ainda que iniciativas de compartilhamento tem rapidamente se convertido em negócios dominados por grandes corporações, que exploram os indivíduos, como são os casos do Uber e do Airbnb. Casos que ilustram as formas pelas quais o Big Data e os algoritmos se apoderam de iniciativas cívicas.

Canclini afirma ainda que, embora o acesso à informação tenha aumentado, prevalece a fabricação da incapacidade social para exercer a cidadania, que resultam em fenômenos como a baixa participação no plebiscito sobre o acordo de paz na Colômbia e os altos índices de popularidade de figuras como Donald Trump, para ficarmos em alguns exemplos. Uma situação que resulta das batalhas perdidas pelos setores progressistas da sociedade, que defendem a redistribuição democrática do acesso, para corporações gigantes, como Globo e Televisa, que dominam a mídia.

A perda de poder do Estado, associada à falta de legislação que garanta o acesso à informação plural para os cidadãos, fez com que se perdesse o sentido do público dos meios e das redes. Muito se tem falado sobre os populismos políticos, mas não se questionam os populismos comunicacionais das empresas que controlam a mídia, que se manifestam, por exemplo, por meio da desqualificação de governos progressistas e na desconsideração de amplos setores da sociedade, taxados como subversivos.

Para finalizar Canclini lembra que diferença de acesso a bens e informações parece contribuir para afastar jovens e mais velhos, mas que esse não parece ser o problema mais grave no que tange a desintegração social que vivemos. O que mais entorpece a sociedade são as travas impostas pela mídia das grandes corporações à ação cidadã e política. Algo que, para ser rompido, demanda outras políticas, outros meios e outras redes.

 

Livro mais recente do autor: O mundo todo como um lugar estranho (EDUSP)

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Quem Escreve?

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Ricardo Zagallo

é diretor do Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM)

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