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A teleficção e o gênero

Autor: Regina Lima
08 nov
Saiba como foi a etapa paulista do III Ciclo ESPM, que teve teleficção e gênero como temas
Os escritores Marçal Aquino e Fernando Bonassi (à dir.) participaram do evento em São Paulo. Foto: Divulgação

Acompanhe a partir de hoje as coberturas do  III Ciclo ESPM, realizados nos últimos dois meses nas três unidades de graduação da ESPM. O evento, organizado pelo Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM), e com o tema Brasil: múltiplas identidades, abordou nossas identidades plurais em cinco painéis para pensar o Brasil como um país que busca se apropriar criticamente da posição que ocupa no mundo. O diretor do Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM), Ricardo Zagallo, abriu a terceira edição do Ciclo chamando a atenção de todos os presentes para a temática que seria discutida no evento, lançando uma provocação “acredito que se houver alguma revolução nos dias de hoje, será a revolução de gênero”.

Antes, porém, a primeira parte do evento na capital paulista foi dedicada ao tema Brasil (Tele)Ficções com a participação da professora do PPGCOM-ECA da Universidade de São Paulo e coordenadora do Obitel Internacional (Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva), Maria Immacolata Vassallo Lopes. “A televisão passa a criar um repertório comum no imaginário do País, repertório que não começou com ela. Minhas pesquisas mostram que esta construção do imaginário nasceu com o rádio”, disse Immacolata ao iniciar sua apresentação.

A convidada realizou, durante sua fala, um percurso para explicar como se deu o hábito de assistir a uma telenovela, todos os dias, como acontece no Brasil. “Esses rituais também existem hoje na tela em frente ao Twitter, ao Facebook e às demais mídias sociais, mas precisamos entender a apropriação que se fez no Brasil com o uso do melodrama como uma matriz de gênero. Por isso é importante a questão do abrasileiramento da telenovela, a partir de Beto Rockfeller, em 1968, na TV Tupi”, ressaltou.

Ela também comentou sobre o padrão de qualidade das telenovelas brasileiras, iniciado pela TV Globo, e com destaque para as extintas TVs Excelsior e Manchete (no caso da novela Pantanal). “Não podemos esquecer também das temáticas sociais, da apropriação delas por parte das telenovelas, o que depois passou a se chamar de merchandising social”, enfatizou Maria Immacolata.

Muitos foram os aspectos abordados pela pesquisadora e um dos que ela ressaltou foi o papel de agendamento de temas da telenovela, “o que chamamos de agenda setting na comunicação. Uma hora é o amor, depois a violência contra a mulher, a homofobia, as relações familiares e uma série de outras temáticas que são pautadas para as famílias brasileiras por quase oito meses”, chamou a atenção Maria Immacolata antes de passar a palavra ao próximo convidado, o professor e pesquisador Antônio Hélio Junqueira, convidado para apresentar sua pesquisa de pós-doutorado A representação imaginada do rural na obra de Benedito Rui Barbosa, projeto apoiado pelo CNPq, que trata de uma nova pedagogia no modo de assistir a telenovela. “No Velho Chico a imagem era lenta, ela participava da narrativa. Algo que precisamos reaprender”, explicou Junqueira.

Outro aspecto da investigação é a reconfiguração do espaço doméstico com a chegada dos novos meios de comunicação e como eles influenciam os modos dever a telenovela, ou seja o como fenômeno de estar em várias telas ao mesmo tempo (TV, Celular, Computador, etc.) está influenciando o consumo da telenovela. “Hoje a experiência multitelas permite uma reconexão das pessoas em outro espaço, ou seja, no espaço digital”, explicou.

Também se apresentaram a mestranda do PPGCOM-ESPM, Virgínia Albuquerque Patrocínio Alves, que falou sobre a sua pesquisa (ainda está em andamento) sobre a representação da favela na telenovela, seguida do coordenador de operações da TV Globo e professor da Faculdade Cásper Líbero, Julio Cesar Fernandes, que trouxe uma análise sobre        a novela Totalmente Demais e a derivação do cruzamento de personagens. “Cerca de 73% da população ainda assiste televisão todos os dias e mais de cinco dias, 84% da população brasileira”, colocou Fernandes. Por fim, o coordenador do curso de Jornalismo e Cinema da ESPM-RJ, Pedro Curi, trouxe sua pesquisa sobre os fã brasileiros de séries estadunidenses.

A primeira parte do III Ciclo em São Paulo, foi encerrada com um bate-papo com todos os que se apresentaram e os dois autores da minissérie SuperMax, os escritores Marçal Aquino e Fernando Bonassi. A produção que está no ar na Globo tem uma proposta muito diferente de narrativa, misturando reality com ficção e terror. Os dois se apresentaram como escritores de séries policiais, mas como tinham vindo de três temporadas de Força Tarefa não queriam “pisar sobre as próprias pisadas”, como fez questão de ressaltar Aquino. “Desta vez, nós quisemos criar vários protagonistas e colocar asa pessoas confinadas, e a primeira ideia que veio foi a de um presídio de seguranças máxima. Queríamos colocar um presídio misto, algo que não existe e foi neste momento que surgiu a ideia de fazer um reality show, num presídio de segurança máxima”, explicou Aquino.

Fernando Bonassi complementou o colega de criação ao ressaltar que o reality show é a narrativa mais inovadora que surgiu nos últimos tempos: “Quando começamos a trabalhar com esse conjunto de personagens, por um momento eu achei que seria mais fácil, porque eu poderia pular da história de um para o outro, mas não foi isso que aconteceu”.

A professora decana do PPGCOM-ESPM, Maria Aparecida Baccega, mediadora da sessão, encerrou agradecendo a presença de todos e convocando a todos os presentes que tragam novas ideias para que “possamos fortalecer a telenovela”, finalizou.

A questão de gênero

O período da tarde foi todo permeado por discussões acerca do tema Brasil gêneros. A sessão foi aberta pela pesquisadora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Natália Ledur Alles, que trouxe a discussão da visibilidade das mulheres prostitutas nos espaços comunicacionais. “Elas enfrentam patrulha religiosa, repressão policial e sobre o fato de existir uma ideia de que exista a prostituição apenas por questões econômicas”, disse Natália para explicar alguns dos estigmas que essas mulheres passam.

A fundadora da consultoria 65/10 (especialista em comunicação para mulheres), Thais Fabris, também se apresentou. A consultoria que nasceu como um coletivo e hoje faz a ponte entre o mercado publicitário sobre as questões do feminismo e os coletivos que nascem. “Cerca 65% das mulheres não se identificam com o que é apresentado na propaganda e só 10% dos criativos das agências são mulheres”, disse Thaís ressaltando que há um problema sobre o que se comunica e quem comunica para as mulheres. Ela enfatizou que nos últimos anos mudaram três vetores importantes do universo feminino. “As mulheres passaram a ter mais acesso a educação, o poder aquisitivo delas aumentou e a possibilidade de produzir e acessar informação pela internet, pois hoje elas têm mais acesso ao computador”, explicou.

O ELAS – Fundo de Investimento Social, representado pela gerente de Desenvolvimento, Vanessa Lucena, teve a terceira apresentação da sessão. Segundo Vanessa o fundo é o único que investe exclusivamente no empoderamento das mulheres e há 16 anos atua no Brasil. “A ideia principal é fazer um recorte nos direitos humanos para as mulheres”, explicou. Por meio de editais, o fundo já investiu R$22,5 milhões para apoiar exclusivamente coletivos, como os que lutam para acabar com a violência contra as mulheres, as Blogueiras Negras, o Núcleo Vozes Femininas, o Grupo Fale Sem Medo, dentre outros.

A professora do departamento de Filosofia da UniRio e membro do conselho deliberativo do ELAS, Ângela Domini, comentou sobre a constituição do imaginário, os processos de subjetivação e do modo de estar no mundo das mulheres. “Eu venho falando da marca que passa desde o processo de colonização até os dias atuais e como eles estão presentes na nossa sociedade”, explicou Ângela. “As imagens dos corpos que foram trabalhados no turismo, chegaram depois nos modos de representação dos corpos na moda e isso depois foi refletir na depressão e na angústia”, resumiu.

Angela ainda falou sobre o imaginário da identidade ascendente europeia. “São Paulo tem presença indígena e provavelmente boa parte de nossas famílias é de origem guaraní, mas passamos por um reforço de uma ancestralidade europeia. Não havia interesse na colonialidade que essas pessoas fossem consideradas humanas. Nem o homem indígena, nem o homem negro eram vistos como humanos, tanto é que tivemos a criação de zoológicos humanos. Não estamos falando de uma batalha deste século, essa é uma batalha de muitos séculos e que marca a subjetividade”, detalhou e exemplificou: “Acho importante falarmos sobre a caça as bruxas, pois este foi um fenômeno que realmente existiu, embora seja sempre ridicularizado e a América Latina foi constituída neste contexto. Essas bruxas eram mulheres velhas, negras e que moravam nas ruas”, faz questão de lembrar a professora.

A última apresentação do dia foi da aluna da graduação da ESPM-SP, Julia Campos, que compõe o Coletivo Colarina ESPM, surgido para romper com o machismo de muitos alunos e alunas que estudam na Escola. “A ideia era mudar a conduta machista dos alunos dentro das festas e dentro da faculdade”, explicou. Veja as fotos do evento.

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Quem Escreve?

imagem de Regina Lima

Regina Lima

é jornalista, atua na área de assessoria de imprensa e comunicação corporativa há 20 anos. Atualmente, atende a ESPM pela SPGA. Mestranda do PPGCOM-ESPM, realiza pesquisa na linha da Comunicação, Educação e Consumo com crianças e jovens da Vila Brasilândia.

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