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Da importância das coisas inúteis

Autor: Renato Essenfelder
13 abr
Volta e meia, os alunos se queixam da inutilidade dos conteúdos ministrados em sala. Que propósito tem saber o número atômico do Bário?

» A memória é péssima; a minha. Poderia culpar a idade, essa mula ensimesmada que avança sem se importar com as intempéries no meu rosto, corpo, nos meus olhos – com a lama nos meus sapatos. Poderia dizer, por certo: estou ficando velho, não lembro mais de tantos filmes, datas, livros, nomes, rostos, cheiros, pessoas.

Mas seria mentira, dupla mentira. Primeiro, o envelhecer não me tornou propriamente velho, ainda aos 35. Segundo, e mais honesto: a memória sempre me traiu – até no jogo de virar cartas e buscar pares idênticos saia-me mal, desde pequeno.

Mas seria outra mentira dizer que a memória é inteiramente péssima; a minha. Para um bocado de coisas ela é demasiado precisa. O problema é que as coisas que minha memória agarra, voraz, são inúteis.

Minha memória é uma coleção de acontecimentos irrelevantes, museu de trivialidades e bizarrices sem uso. Panteão de fracassos e lirismo solitário, coleção de protoideias e pseudobrilhantismos, aquário de revoluções abortadas.

Não lembro o seu nome. Esqueci outro aniversário. Acho que ele me devia uma grana. Mas não esqueço o dia em que duas folhas secas caíram gentilmente sobre o para-brisa, a sensação de afundar os pés na areia fofa da Praia da Saudade, a cor de um vestido amarelo.

As coisas inúteis, muito mais do que inúteis: as coisas imprestáveis mesmo. O refrão de uma música ruim dos idos de 1980. O preço de um pacote de 7belo. As 36 pintas de uma tartaruga de estimação da infância.

Volta e meia, os alunos se queixam da inutilidade dos conteúdos ministrados em sala. Que propósito tem saber o nome da capital do Burundi, o número atômico do Bário, o título-nome-sobrenome dos senhores das guerras de alhures? Qual razão, meu Deus, pergunta a razão inquieta.

Eu, com memória péssima, já li dezenas de justificativas pedagógicas para tanto. Mas delas já não lembro.

Lembro das folhas secas pousando no para-brisa. Era terça-feira, meio dia, ia a caminho do colégio buscar minha filha. O trânsito, a pressa, a vida parou por duas folhas pequeninas.

Inúteis.

No meio de uma discussão, no meio de um funeral, lembro delas. Como rodopiaram quatro ou cinco vezes até se ajeitarem diante do capô, silenciosamente. E como partiram depois, ao engate da marcha, para nunca mais.

Aquele dia.

As coisas inúteis.

Às vezes só as coisas inúteis é que nos salvam. «

A coluna “males crônicos” sobre neuroses contemporâneas é publicada todas as segundas-feiras no site Estadão.com e republicada pelo blog ESPM+ na mesma semana. As opiniões aqui expressas são de total responsabilidade do autor

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Quem Escreve?

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Renato Essenfelder

Professor de Jornalismo na ESPM, escritor e jornalista com passagens pelos jornais Folha de S.Paulo e Metro e hoje edita a revista Cadernos de Cidadania, do Sesc-SP

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