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A missão dos pais

Autor: Renato Essenfelder
12 ago
com ilustração de Loro Verz

» Cheguei àquela idade em que pais começam a se multiplicar em meu entorno. Aparentemente, todos são pais. A maior parte dos amigos têm filhos, já. Outros são pais prospectivos: quase-pais, meios-pais que começam a pensar seriamente no caso. Fazem contas, planos, especulam sobre a paternidade possível em um cotidiano que não dá sinais de trégua – quando parece que a vida vai se acalmar, agita-se. Então fecham os olhos e, num descuido imaginado, engravidam. Ninguém é pai com muita matemática.

Não fosse uma dose de acaso, a vida nunca revolucionava. O marceneiro seria marceneiro até o fim das mãos, o professor seria professor por toda a história da garganta, o garçom seria garçom até que as pernas travassem.  A surpresa é desconfortável, de início, e às vezes dolorosa, mas faz lembrar do que é feita a vida, matéria do acaso.

Tenho o maior respeito pelos quase-pais matemáticos, dados a minúcias de planejamento, e quem sabe eu mesmo não me torne outro, cuidadosamente orquestrando o segundo filho. Mas intimamente acho que a paternidade é aquele tipo de surpresa indispensável, como o próprio nascimento: caímos no mundo às cegas, às cegas vivemos, às cegas damos à luz. Um belo dia acordamos diferentes. Descobrimo-nos pais.

Assim o homem moderno se conecta ao primitivo, ao homem-de-sempre. Há beleza no deixar que a vida siga seu fio indistintamente, sem antecipar-lhe os passos. Sem antecipar-lhe sexo, peso, cor, dia e hora de nascimento. Abraçar, pois, a vida. Abraçar tudo o que virá – mesmo a morte.

Assim, então, todos nos tornamos pais: não importa o sexo, idade, estado conjugal, quantos filhos de carne e osso depositamos sobre o mundo. Nos tornamos pais pela disposição de abraçar a vida, tudo aquilo que virá, nutrindo, vivendo e deixando viver.

Ser pai, nos tempos atuais, é dar conta deste estado de espírito sereno, receptivo e potencialmente sábio – não inequívoco, mas disposto a aprender. As respostas, o Google tem as respostas. Assim como o educador do século 21, o pai do século 21 não é um arquivador de conteúdos que deposita entre as orelhas de seus rebentos. Qualquer pai do mundo sabe menos sobre física, química, matemática, geografia e história do que qualquer aplicativo de celular. Como as ciências se aplicam à vida, e o que de fato aprendemos com elas, é matéria de pai e filho – assim como saber apaziguá-los diante das incertezas da vida com um abraço apertado, reconfortante.

Os filhos involuntariamente nos ensinam muito, e os pais, no tempo certo, devem retornar a eles essas lições. Com os filhos aprendemos a desaprender tudo aquilo que achávamos sabido. Aprendemos novos-velhos valores (e o ouro da disciplina). Assim, parte da missão do pai é ajudar o filho a encontrar tudo aquilo que ele já possuía quando criança, mas perdeu. O sono despreocupado, a fé na vida, o respeito ao corpo, a gana infinita de aprender, a persistência para insistir.

Chorar. Sorrir. Seguir em frente.  «

 

A coluna “males crônicos” sobre neuroses contemporâneas é publicada todas as segundas-feiras no site Estadão.com e republicada pelo blog ESPM+ na mesma semana.**Loro Verz (www.loroverz.com), que produz as artes que ilustram a coluna, é pintor e artista plástico formado pela Central Saint Martins College of Arts and Design, em Londres, com obras expostas em São Paulo e no exterior.

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Quem Escreve?

imagem de Renato Essenfelder

Renato Essenfelder

Professor de Jornalismo na ESPM, escritor e jornalista com passagens pelos jornais Folha de S.Paulo e Metro e hoje edita a revista Cadernos de Cidadania, do Sesc-SP

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