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O Homem do Direito

Autor: Agop Kayayan
09 fev
Aristides Junqueira, procurador-geral da República e homem do direito

Certa vez, um colega do UNICEF me alertou ao desejo demonstrado pelo Procurador-geral da Republica, em conversar comigo. Há dois assuntos técnicos nos quais sou quase analfabeto, ou melhor, analfabeto funcional: assuntos legais e religiosos. Tenho que admitir que fiquei impressionado, pois o título Procurador-geral da Republica soa tão forte como Presidente da Republica.

Pedi, então, para marcarem, a reunião com o Procurador-geral, o mais rápido possível. Se não estou enganado, na época os escritórios da Procuradoria Geral ficavam num prédio muito modesto na L2 Sul em Brasília. Aprendi durante minha carreira no UNICEF, a observar o nível de luxo de escritórios. Não que ficasse impressionado pelo nível do luxo, ao contrário, ficava irritado com o luxo exagerado de alguns ambientes de trabalho na capital Federal. O escritório inteiro era de uma modéstia exemplar. O homem que conheci me também impressionou por sua modéstia. Logo no inicio do nosso encontro, me disse de maneira muito simples, “Gostaria de ajudar no trabalho pela infância”. Fiquei encantado. Não restou duvida que o homem era sincero e desejava seriamente contribuir a causa.

Fiquei muito curioso sobre a motivação deste homem. Durante alguns dias debatia internamente se eu estava sendo inocente ao aceitar como verdade o desejo expressado. Tenho que admitir que fiquei com o ‘pé atrás’ em algumas oportunidades. O nome do Procurador-geral da Republica da época é Aristides Junqueira. Fiquei atento à sua participação nos trabalhos de um movimento liderado pelo UNICEF com a bandeira Pacto pela infância. Este movimento foi lançado por volta de 1993. A idéia fundamental era, e acredito ainda seja válida, que a situação das crianças no Brasil era quase um desastre, considerando o nível de renda do pais. Países vizinhos ao Brasil, com renda bem menor, tinham indicadores muito melhores de morbimortalidade infantil, qualidade de educação, e respeito aos direitos fundamentais da infância e adolescência. Escrevi na época um pequeno artigo com o titulo sugestivo O Brasil pode, no qual minha tese era de que quando o Brasil desejava como nação, conseguia resultados fantásticos.

A proposta do Pacto pela infância era que toda a sociedade brasileira, os três poderes, os governos estaduais e municipais, a sociedade civil organizada, sindicatos e empresas privada, deveriam colocar seus interesses particulares de lado e juntar esforços em prol da infância. Aristides Junqueira tinha ouvido essa proposta e se ofereceu em ajudar. Apesar do Pacto ser uma proposta de UNICEF, quem dirigia os trabalhos, era um núcleo duro dentro do PACTO composto por Dom Luciano Mendes de Almeida, Betinho, Gilberto Dimenstein, e Aristides Junqueira. Eles de fato moderavam as reuniões e constantemente pediam que as entidades mantivessem seu compromisso de colocar a CRIANÇA EM PRIMEIRO LUGAR.

O papel de moderação desses quatro, que eu chamaria de anjos de guarda, foi extraordinário. Hoje quero lembrar uma situação em que Aristides me deixou favoravelmente impressionado. O Betinho tinha épocas em que sofria as consequências de efeitos colaterais de medicamentos que tinha que usar. Para aliviar um pouco a sua situação, o núcleo duro do Pacto foi ao Rio de Janeiro para a reunião de coordenação. Quando terminamos nossos trabalhos, ao abrir as portas da sala de reuniões ficamos surpresos por uns trinta jornalistas. Ninguém imaginava tanto interesse dos meios de comunicação pelo Pacto pela Criança. Estávamos enganados, os jornalistas tinham descoberto que o Procurador-geral estava na reunião e queriam saber dele sua posição sobre o processo de impeachment do Presidente Collor. Foi ai que eu escutei uma resposta que me deixou de queixo caído! Aristides declaro em voz alta algo como “Estou aqui numa reunião com o Betinho discutindo a situação da infância. Qualquer pergunta sobre o assunto estou a disposição”. Alguns jornalistas não acreditando na seriedade do Procurador-geral (e aqui tenho que esclarecer ele é Mineiro!) insistiram nas perguntas sobre impeachment. De nada adiantou.

Para minha felicidade, Aristides Junqueira é um homem de palavra. Sempre nos trabalhos do Pacto esteve presente, sempre usou seu prestigio para conduzir na direção certa os trabalhos do Pacto, e nunca usou sua participação para autopromoção.

Às vezes jovens me perguntam o que devem buscar no trabalho. Um dos meus maiores prazeres no trabalho foi de ter tido a honra de ter colegas e amigos pelos quais tenho respeito pela integridade e compromisso verdadeiro. Aristides Junqueira é uma dessas pessoas, a quem tomo a liberdade de chamar de O Homem do Direito.

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Quem Escreve?

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Agop Kayayan

libanês, foi diretor do Unicef para a América Central e para o Brasil. Atualmente é consultor para captação de recursos da ESPM e professor do Yunus ESPM Social Business Centre.

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