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Da descompressão à volta ao cotidiano

Autor: Guy Almeida Jr.
02 set
Escritor Valter Hugo Mãe fala sobre sua literatura a professores e funcionários da ESPM-SP
O escritor Valter Hugo Mãe fala serenamente e encanta a plateia na ESPM-SP. Foto: João Lebrão

O artista que, de tão concentrado em sua obra, chega a confundir ficção e realidade. Sob a mediação do líder da área de Comunicação e Artes, Celso Cruz, o autor dos romances O Remorso de Baltazar Sarapião; A Máquina de Fazer Espanhóis; A Desumanização; O Filho de Mil Homens, entre outros, Valter Hugo Mãe, conversou sobre vários temas em uma sessão fechada com professores e funcionários administrativos da ESPM-SP, na noite de 30 de agosto. O evento serviu de prévia para a apresentação que o escritor faria no Fronteiras do Pensamento, na noite seguinte, evento em que a ESPM é parceira, na cidade de São Paulo.

Foi a primeira conversa do autor, nascido em Angola e radicado em Portugal, nesta passagem pelo Brasil, e uma das primeiras após entrar no processo de criação de seu próximo livro, ainda sem nome. Por conta disso, Mãe considerou e brincou que se encontra em um momento de descompressão: “Eu venho de passar meses em casa a terminar um livro. Estou a usar esta possibilidade de estar no Brasil para voltar à experiência da contemporaneidade”.

A nova obra terá o Japão como pano de fundo e, por conta disso, o escritor fez uma imersão no país, o que o deixou “esquisitamente japonês”. Dessa experiência, ele destacou a ambivalência histórica do povo japonês, que, durante séculos, possuía um exército com guerreiros dos mais furiosos e hoje é uma sociedade extremamente pacífica e cordial. “Criaram uma grande metrópole, Tóquio, onde é quase impossível de ser agredido”, ilustrou.

O grande mote da fala foi o processo de criação literária, no qual, para Mãe, a relação de um autor com seus livros já terminados é perpassada pela complexidade em sua essência. “Livros acabados são ofensas profundas a nossa cabeça de autor. Quando o livro termina ele rejeita o autor. Somos o excremento do livro”, disse e complementou: “O livro chega a um ponto em que se fecha em si mesmo, e nós (autores) somos o excesso do livro. No momento em que o livro termina sua festa, eu sou o primeiro convidado a ir embora”, metaforizou.

O convidado disse que sua rotina ao escrever um livro é maçante e que chega a perder a noção do tempo e até de comer, pois fica enclausurado em casa, dada sua entrega total à obra. Esse processo, de tão intensivo e extensivo, leva-o, muitas vezes, a desistir de capítulos inteiros, até mesmo da própria obra e, especialmente, a confundir ficção e realidade. “Vai chegar um momento em que pequenos vestígios da realidade podem ser coisas do livro”, lembrou. Essa interferência da ficção em seu cotidiano também lhe traz coisas novas. “Mesmo com os livros acabados, a gente fica mudado. Por mais ficcional que eu seja, há coisas que nunca vão embora. A mistura (ficção e realidade) nunca mais acaba. Depois de ficcionar e fazer literatura, nunca mais é possível saber o que é a verdade”, frisou.

"Livros acabados são ofensas profundas a nossa cabeça de autor. Quando o livro termina ele rejeita o autor. Somos o excremento do livro"

Indagado por Celso Cruz sobre a escolha de seu nome artístico, o convidado respondeu: “Quando eu escolhi o nome ‘Mãe’, eu não sabia que era tão complexo e responsabilizador. Eu acho que meus livros têm um pouco isso, de cuidar das pessoas”, porém, disse estranhar o fato, afirmando que sua formação literária provém de uma literatura “fraturante” e sombria, como a do Marquês de Sade. O que o faz, talvez, lidar com o horror e, de alguma forma, sem perder a esperança, como em A Desumanização. “Eu faço uma união quase que ‘infazível’ entre essas duas coisas. Parece uma coisa horrível dizer que não somos gente, mas acho esperançoso, pois virá algo melhor. O grotesco não faz parte da humanidade. A humanidade é uma construção mental”, poetizou.

Ele também falou sobre os dois países, Brasil e Portugal, e suas respectivas situações política e econômica. No caso português, criticou a União Europeia: “O que está em caso é o domínio dos países ricos sobre os pequenos”.

Já sobre o Brasil, sua confusão é grande. Provavelmente como o cruzamento da fantasia com o real presente em sua obra. “Eu nunca consegui entender o Brasil. É muito complexo. Eu gostaria de ser mágico e resolver os problemas do Brasil num aceno. O que a imprensa internacional diz é que foi um golpe, pois todas as pessoas que ocuparam o governo são mais corruptas que as que o deixaram. O que vejo são as pessoas fartas e sem esperanças. Aconteça o que acontecer, ninguém está otimista. E o otimismo é um motor fundamental”, colocou.

Cruz também perguntou sobre a Vila do Conde, cidade litorânea portuguesa próxima à cidade do Porto onde o autor reside. “O que faz eu viver lá tem muito que ver por não me darem importância. Não diria que estou ali como espião, mas observo as pessoas ali. Elas estão muito próximas da sobrevivência plena”, disse fazendo uma conclusão de que aquelas pessoas vivem em um estado de resistência sem necessitarem de terapia. “A felicidade nem é um tópico para essas pessoas”, completou.

Sobre seu estilo de texto, Mãe afirmou e defendeu que a literatura tem por requinte a questão de sua linguagem: “Sempre penso que a justificação da escrita é a sua forma”, disse comparando que uma reportagem pode resolver-se em cinco páginas, porém, na literatura, a mesma coisa deve ser contada de maneira extensa, pois assim se obtém o rigor da linguagem. “Eu nunca quereria fazer algo diferente da literatura. Meu fascínio é a linguagem. A escrita é uma maneira de impressionar os outros com a capacidade fundadora da palavra”.

A autor e a plateia

Durante o bate-papo que teve com o público, diversas questões foram abordadas, como a questão da verossimilhança, tão explorada pelo autor. “Nós somos explicados do ponto de vista da fantasia com mais facilidade. A caricatura que se pode fazer com o fantástico e é o que dá rigor à escrita”, destacou e falou da estética exagerada que utiliza em suas obras. “Não tenho paciência para o meio (termo), para não criar equívocos de entendimento”, brincou. Por conta disso, Mãe citou que busca em sua obra a clareza, na qual a pessoa pode até discordar de seu ponto de vista, mas não terá dupla interpretação em relação a ele. Ao exemplificar, lembrou-se de O Filho de Mil Homens e do fato de muitas pessoas, especialmente do Brasil, terem filhos após a leitura: “Quem ler o livro pode até continuar a não ter filhos, mas que pensou na questão, pensou.

Outro questionamento foi “o jeito português”, tido como amargurado, especialmente por nós brasileiros. O autor titubeou, mas cedeu. “Eu custava a acreditar, mas acho que existe sim. O povo português tem um sentimento de perda muito longo. Se o período das descobertas foi a glória, o povo tem 500 anos de perda. Quem chega alto e cai de repente parece ridículo”.

Finalizando sua participação, Mãe falou sobre os sentimentos de desespero e esperança tão provocados nas pessoas por seus textos. E explicou que sempre traz um lado para abrir espaço ao outro. “Quando abordo um desalento absoluto, estou a propor a sombra de sua antítese”. Com humildade, Mãe despediu-se do público, relembrando de sua compressão. “Desculpe estar perdido. Eu não estava à frente de uma plateia há muito tempo”, e foi aplaudido por todo o Auditório Renato Castelo Branco, antes de sair e atender, de forma simpática, a todos na sessão de autógrafos. Confira as fotos, clicadas por João Lebrão:

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Quem Escreve?

imagem de guyalmeidajr

Guy Almeida Jr.

é jornalista e mestre em Comunicação e Práticas de Consumo, foi editor da revista e blog ESPM+ (entre 2008 e 2014). Atualmente é editor e co-criador do +ESPM.

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